Chega a edição 02 do Radar Miami da semana — o jornal das transações do luxo em Miami-Dade, com endereço, preço, data e fonte em cada item. Só dado verificado, enquadrado para quem compra ou investe a partir do Brasil.
O destaque: 255 Ocean Boulevard, Golden Beach — US$ 69,5M à vista
A Meridian Coast LLC pagou US$ 69,5 milhões em dinheiro por uma mansão de 17.500 pés² em Golden Beach — US$ 3.970 o pé quadrado (The Real Deal, 30/09/2026). O imóvel na 255 Ocean Boulevard tem sete quartos, 12 banheiros, guest house, piscina, spa e 100 pés de frente para o mar, em um lote de 0,7 acre.
O detalhe que conta a história: o vendedor — ligado à Treo Construction — havia comprado a propriedade por US$ 10,7M em 2021. Cinco anos depois, a venda saiu por quase 6,5 vezes esse valor. A listagem foi de Dina Goldentayer (Douglas Elliman); o comprador foi representado por Hillary Hertzberg e Jill Eber (Coldwell Banker Realty).
Para o investidor brasileiro: Golden Beach é o micro-mercado nº 10 da nossa série US$ 30M+ — uma faixa estreita entre o Intracoastal e o mar, com oferta rigidamente limitada. Quando o waterfront é escasso e a demanda é global, o preço por pé quadrado conta a história sozinho.
Wynwood: Ken Griffin paga US$ 1,1B pelo Mana Wynwood
O bilionário Ken Griffin (Citadel) fechou a compra do Mana Wynwood — 30 acres na 318 Northwest 23rd Street — por estimados US$ 1,1 bilhão, em dinheiro, de Moishe Mana (The Real Deal, 30/09/2026). É o maior assemblage de terras da história da Flórida.
O destino: um campus-satélite de 35 acres da Carnegie Mellon University em Miami, parte de uma doação de mais de US$ 3 bilhões de Griffin à universidade. A construção está prevista para 2027, com os primeiros alunos de pós-graduação em 2028.
Para quem investe no entorno: uma universidade de elite ancora a transformação de um bairro por décadas — demanda por moradia, serviços e comércio ao redor. Wynwood, Edgewater e Midtown entram no radar de quem acompanha infraestrutura, não só listings.
Allison Island: a mansão do Lil Wayne vendida por US$ 22M
A mansão de 10.600 pés² do rapper Lil Wayne em Allison Island foi vendida por US$ 22M — depois de anunciada por US$ 30M e reduzida para US$ 28M (Josh Stein, 28/09/2026). São sete quartos, nove banheiros e 110 pés de frente para a água, em construção de 2017. Ele era dono desde 2018, quando pagou US$ 17M.
Para o comprador: até no trophy market há margem para negociar. O corte de US$ 30M para US$ 22M mostra que vendedor motivado e comprador preparado se encontram — e quem chega com leitura de mercado compra bem, mesmo no topo.
O dado da semana: 24 vendas acima de US$ 30M no semestre
Miami-Dade registrou 24 transações acima de US$ 30M no primeiro semestre de 2026 — quase o dobro do mesmo período do ano anterior e mais que as 17 de Nova York no período (Analytics Miami, via Bloomberg). O recorde anual é de 33 vendas (2025); em 2019 foram apenas 2. Quase todas as transações foram pagas à vista.
Para quem decide dolarizar: o ultra-luxo anda em lógica própria — comprador à vista, imune a juros, movido por migração de patrimônio de estados com imposto alto. É onde o capital global se encontra.
Empreendimentos: Waldorf Astoria Miami 90% vendido
A torre Waldorf Astoria Miami, em Downtown, chegou ao nível 85 de 100 — com topping out previsto para o inverno de 2026 e mais de 90% vendido, para entrega no segundo trimestre de 2028 (Haute Residence, ranking de setembro/2026). No mesmo ranking: Cipriani Residences com mais de 80% vendido e o Mandarin Oriental de Brickell Key com US$ 1,3B vendidos e quebra de solo no fim de 2026.
Sem prometer valorização: produto de marca segue absorvendo rápido em Miami — 90% vendido antes do topping out é o termômetro da demanda por branded residences.
O Radar volta na próxima semana com os novos fechamentos, listings e marcos do mercado. Até lá, os números acima são o mapa — e mapa bom é o que ajuda a decidir.
