Estreia o Radar Miami da semana — o jornal semanal das transações do luxo em Miami-Dade, com endereço, preço, data e fonte em cada item. Só dado verificado, enquadrado para quem compra ou investe a partir do Brasil.
O destaque: 1413 N Venetian Way, San Marco Island — US$ 47,5M sob contrato
Uma spec mansion em San Marco Island, nas Venetian Islands, entrou em contrato na semana de 21 a 27 de setembro pelo preço pedido de US$ 47,5 milhões (The Real Deal, 29/09/2026). São 10.700 pés² à beira-mar — sete quartos, piscina de borda infinita de 70 pés, 103 pés de frente para a água e marina privativa — a US$ 4.444 o pé quadrado. A construtora vendedora, a Maven Construction (Brooklyn), havia pago US$ 6 milhões pelo terreno em 2021.
O contexto da semana: mesmo num período descrito como "mais lento", 16 imóveis acima de US$ 4M entraram em contrato em Miami-Dade, somando US$ 143M em valor pedido — preço médio de contrato de US$ 9,8M (US$ 1.860/pé²), segundo o relatório semanal da equipe Eklund-Gomes (Douglas Elliman). As Venetian Islands seguem liderando o luxo do condado: na mesma semana, uma casa em 1421 N Venetian Way entrou em contrato por US$ 16,9M.
Para o comprador brasileiro: San Marco Island é uma das portas de entrada mais sólidas para o waterfront de Miami Beach — ilha residencial consolidada entre Downtown e a praia, com histórico consistente de vendas no topo. E o preço por pé quadrado (US$ 4.444) vira régua para comparar qualquer waterfront novo que você avaliar.
Morningside: US$ 24,1M off-market e recorde do bairro
Um teardown na Bayshore Drive, no bairro Morningside, trocou de mãos por US$ 24,1M em negociação off-market — um ano depois de ter sido comprado por US$ 16M (Mansion Global, 28/09/2026). É recorde para o bairro. O lote de 0,84 acre tem 125 pés de frente para a Biscayne Bay e potencial construtivo de até 30.000 pés²; a casa existente, de 1969, "não maximiza o que o terreno pode ser", nas palavras da corretora do comprador (Jackie Diop, One Sotheby's International Realty).
Para o investidor: em Miami, terra waterfront é o ativo — a construção de 1969 não segurou nem ditou o preço. Quem compra lote para construir jogou exatamente onde o valor se concentrou nesta transação: no terreno, não na construção.
Coral Gables: a mansão de US$ 36M que virou terreno
A Wood Residence (1963), do arquiteto Alfred Browning Parker — 11.000 pés² em 1,2 acre waterfront em Coral Gables — foi demolida meses depois de ser comprada por US$ 36M pelo desenvolvedor Felix Sorkin (Times Now World, 28/09/2026). Sem tombamento histórico, o terreno foi liberado para um novo complexo de luxo.
Coral Gables está entre os bairros mais procurados por famílias brasileiras — escolas, arborização, vida de bairro. O recado do mercado: no waterfront prime, o terreno vale mais que a casa. Dolarizar patrimônio em terra nessas localizações é a tese mais antiga — e mais repetida — do luxo em Miami.
O dado da semana: 194 vendas acima de US$ 10M, a caminho do recorde
Até agosto, Miami-Dade registrou 194 vendas residenciais acima de US$ 10M (MIAMI REALTORS, dados divulgados em 16/09/2026) — já acima das 170 de todo o ano de 2025. O recorde histórico é de 230 (2021); no ritmo atual, o condado pode fechar 2026 com cerca de 291. Palm Beach já quebrou o próprio recorde, com 170 vendas acima de US$ 10M até agosto.
Para quem decide comprar: o topo segue aquecido mesmo com o mercado geral mais lento — as vendas totais caíram 1,1% em agosto. É esse descolamento que sustenta a decisão de entrar no ultra-luxo.
Empreendimentos: Mohawk at Wynwood quebra o solo; Neo Edgewater abre pré-locação
A Rilea Group quebrou o solo do Mohawk at Wynwood (50 NE 29th St): 300 residências em uso misto, na ligação entre o Wynwood Arts District e Midtown Miami (PROFILEmiami, 25/09/2026). Na mesma semana, a Oak Row Equities abriu a pré-locação do Neo Edgewater (2600 Biscayne Blvd): 399 residências de luxo para alugar, com entregas a partir de outubro (PROFILEmiami, 22/09/2026). E em Coral Gables, a BAM Developers e a Ascendra Capital abriram a galeria de vendas do Seventeen Gables (1715 Douglas Rd), condomínio de 117 unidades (PROFILEmiami, 28/09/2026).
Sem prometer valorização: entrar cedo — em tabela, na planta ou na pré-locação — é como o investidor se posiciona antes da entrega. Wynwood, Edgewater e Coral Gables são regiões que o brasileiro já conhece e procura.
O Radar volta na próxima semana com os novos fechamentos, listings e marcos do mercado. Até lá, os números acima são o mapa — e mapa bom é o que ajuda a decidir.
